O flamboyant ficava num canto do pátio da recreação e era muito antigo, talvez centenário, por isso tinha um tronco muito largo e uma copa frondosa. Ao redor deste enorme tronco haviam vários banquinhos de cimento (era possível sentar umas 5 crianças em cada um), circundando a linda árvore. Nestes banquinhos, salvos do calor, à sombra da majestosa árvore, nós "merendávamos" e brincávamos. Uma das coisas que fazia com minhas amigas era pular cada banquinho fazendo a volta ao mundo do flamboyant. Era divertido.
Contudo o flamboyant tinha seus mistérios... imaginem só o tamanho dele e quantas moradias existiam nele! Formigueiros. Colméias. Ninhos o ano inteiro. Ninhos de passarinhos e ninhos de... cobras, uai! Estão pensando o que?!?! E quando alguma aparecia... todas as crianças ficavam curiosas! Nada melhor do que algo "perigoso" para chamar atenção. Eu me lembro muito bem de ver alguma correr para debaixo do banco, ou amiguinhos chamarem "tá vendo ali" "onde? onde?" ... E claro, a tardinha, os sons das aves noturnas anunciando o por-do-sol algumas vezes. E o cantar das cigarras??! Era o calor!!! Anunciavam com precisão a chegada de outra estação: o verão.Nos oito anos que lá estive, jamais vi nenhum acidente. Eu só lamento muito não ter fotografias do lugar que tanto gostava de estar.
P.S.: a foto ao lado sou eu
desfilando com minhas amigas
Ahhhh... certo dia, na terceira série primária (do meu tempo) estávamos na sala de aula com nossa querida Irmã Rutinha (era assim que a chamávamos) e começamos a ouvir um canto diferente. Ela, sempre tão doce e tão perspicaz para aguçar nossa imaginação, nos chamou para ir até o corredor e observar parte da copa da árvore. Para a nossa surpresa nós encontramos um passarinho vermelho e preto. Nem me perguntem como, não sei mesmo, mas um dia ela apareceu com ele na sala de aula. Era nosso mascote "menguinho". Ficamos felizes por ter que cuidar dele por uns tempos. Só que sabíamos que ele precisava da liberdade e em breve sairia para voar sua vida.
Eu soube, este ano, pela Mara, funcionária do Castelo, que o "meu" flamboyant morreu alguns anos atrás, porém eles replantaram outro no seu lugar que já está bem bonito. Só falta eu ir lá conhecer e matar a saudade eterna (já repararam, não é mesmo??!).
Estávamos acostumados a ter bichos "de estimação" na escola. No terreno grande da horta, antes da enorme paineira, havia uma casa grande com o ateliê (antigo, provavelmente). E no finalzinho uma baia onde ficavam alguns porquinhos da índia. Adorávamos brincar com eles na roda.... isso é outra história...Curiosidades:
Flamboyant ou Delonix Regia, também denominada flor-do-paraíso, pau-rosa, acácia-rubra, ou... flamboyant. Árvore da família das leguminosas (fabaceae), nativa da ilha de Madagáscar, África. Embora ameaça de extinção no estado selvagem é utilizada pelo seu valor ornamental. Adaptou-se muito bem em toda América tropical, especialmente no Brasil, onde arboriza praças e ruas. Ela deve ser restrita apenas a parques e grandes espaços porque tem altura média de até 15 metros, raízes superciais e danosas, ou seja, destroem calçadas. Árvore de crescimento bem rápido. Suas folhas são hastes recompostas com pequeninos folióculos. As flores são majestosas, quando nascidas duram semanas. E as sementes são com vagens.
O Ramphocelys Bresilius, ou sangue-de-boi, tiê-fogo, ou mais. Pode ser visto da Paraíba a Santa Catarina. A linda plumagem rubro-negra do macho (a fêmea não é igual, é parda) só é adquirida no segundo ano de vida. Apesar da beleza da plumagem essa espécie não é considerada por possuir um dos cantos mais bonitos. O chamado é duro, o canto é um gorjear melodioso e trissilábico, repetido sem pressa, algumas vezes em conjunto.