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sexta-feira, março 20, 2009

Não morri... ainda!

Estava voltando de Macaé, ao entardecer, o ônibus da Rápido Macaense já corria no trecho de estrada que culmina na BR 101. Ainda, naquele tempo, podia apreciar uma zona rural. Raras casinhas em fazendas e sítios escondidos na mata. Eu gosto de viajar na frente porque não consigo dormir e nem percebi de onde apareceu nem do que se tratava... batemos e paramos.

O motorista desceu para ver o que era e o tamanho do estrago. Ninguém se feriu, eu fiquei apenas com uma leve dor no pescoço. Claro, havia uma senhora que ficou histérica dentro do ônibus! Porém isso foi logo resolvido quando outro ônibus veio no sentido Macaé. Levou-a de volta consigo.

No que batemos?

- Quebrou apenas a lanterna direita - ele disse.

Aquele lugar meio que inóspito mudou de configuração: apareceram muitas pessoas com facões das mãos. Até hoje me pergunto onde todas elas estavam, escondidas nas margens?!

Era uma vaca! Era nada. Ela continuava em pé e sem sangrar. Com aquela carinha de vaca leiteira tranquila. Branca com malhas pretas. A mesma personagem que colocamos enfeitando nossas cozinhas em panos, relógios e outros apetrechos.

Os meus olhos estavam arregalados, aquela gente veio do nada, como formigas , prontos para dividirem a carne. A vaca estava viva e eu infelizmente não pude saber qual foi o destino dela.

Eu achei aquilo tão frívolo, carnificina mental e senti profunda tristeza quanto a realidade de um povo que fica à beira de uma estrada aguardando um almoço ou jantar mais completo.

Já se passaram tantos anos e nunca consegui me esquecer do episódio. Eu nunca saberei se a vaca aguentou o tranco e sobreviveu. Creio que merecia viver aquela segunda chance, mas provavelmente os moradores estavam prontos para terminar o serviço do destino.

Uma vez disse a um amigo que postou um vídeo no blog dele (o marido havia dado um lindo carro à mulher, ela entrou e ao acionar a chave o veículo explodiu) que eu ficava chocada com cenas fortes porque armazeno na memória, ele achou que eu exagerei... mas não, eu infelizmente gravo e relembro do nada tempos depois. Bem que gostaria de ter um "del" no meu arquivo cerebral.

É... eu acho que aquela vaca foi para o brejo mesmo...

(texto de Sissym)

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8 comentários:

  1. Poxa, pensei que teria um final feliz.. Foi muito real, Sissy. Não pode! hehe

    Beijo

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  2. Esse final tem duplo sentido pra minha comcepção vc quiz dizer que ela seguiu o seu caminho (a vaca foi pro brejo) e o povo o deles. Eu sou do interior e é comum os lavradores anderem com foices, enxadas e facões na mão, é a lida como falam. Bom fim de semana Sí, bjs.

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  3. Interessante história e muito bem contada, como sempre. Relembrar é viver.A vaquinha deve ter ido dar mais uma volta, ou foi para a frigideira em forma de suculento bife. Abraços

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  4. Minha querida Confrade, Uma coisa é certa: Os sensíveis sofrem mais, porém, são os que enxergam e sentem - com maior intensidade - a existência das coisas, as quais os comuns, apenas experimentam, indiferentes.
    Lindo texto; riquíssima figura de linguagem como pano de fundo para um profunda abordagem filosófica; gostei muito.
    te deixo um abraço carinhoso1
    Deste teu Confrade: Max Costa

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  5. por vários aspecto a história de facto é inesquecível .
    Tenho tambem algumas similares a sua.
    Pedro

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  6. Bah, Sissy. Teu post me fez lembrar de um fato que ocorreu com um amigo. Ele estava viajando na estrada e, então, ao passar por uma ponte, tinha uma vaca no meio do caminho e no meio do caminho tinha uma vaca. Repare que o caminho era uma ponte. Não deu outra, não conseguiu freiar a tempo e...adeus vaca, adeus carro. Sim, a vaca morreu, junto com o carro, que foi para o ferro-velho... Beijos pra ti! Pelo menos com a tua história podemos sonhar com um final feliz.

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  7. Um dia, numa autoestrada aqui em Portugal, onde se rola na média dos 140 Km/hora, mesmo à minha frente um carro bateu numa vaca.
    Impensável em Portugal onde as autoestradas estão protegidas por redes laterais, mas aconteceu.
    Àquela velocidade, claro que a vaca morreu, mas o pior é que os dois ocupantes do veículo ficaram muito feridos.
    Insólitos e inesperados do destino de cada um ?
    Como dizem os espanhóis: não acredito em bruxas, mas que as há, há.
    Bom fim de semana.
    Bj

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  8. ver alguem ou algum animal nessa situação realmente entra na cabeça de gente, é impossivel esquecer.

    já faz anos(+ 15) que alguém deu veneno para meu cachorro, ainda ouço ele latindo de madrugada(por volta das 3 da manhã), pelo menos foi rapido, menos de 10 minutos

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Obrigada