Thanks for your visit. Comments or contact: sissym.mascarenhas@hotmail.com

sábado, março 14, 2009

Tia Cristina

Era uma vez Maria que não era Cristina mas somente assim foi conhecida.
Era uma vez Cristina que não era minha tia mas somente assim eu a chamei.
Era uma vez Cristina a mulata mais linda que era minha tia de consideração.
De consideração mora ainda no meu coração, a mulata mais linda que é minha tia.

Morávamos numa cobertura em Copacabana e tínhamos uns vizinhos que em pouco tempo se tornaram parentes. Já são mais de 40 anos deste parentesco afetivo.

Na cobertura 05 eu ganhei o único avô que conheci, o amei e fui amada.
Foi o Vovô Mário quem me apresentou o chiclete: Adams. Caixinha amarela.
Foi o Vovô Mário, um holandês muito bonito, que me apresentou a bruxa: uma garrafa vestida de bruxa sem fundo, aliás, o fundo sempre apresentava guloseimas somente para mim e mais ninguém.

Na cobertura 05 morava então a Maria, a Tia Cristina, a bela mulata de impressionante voz . Ela cantou por anos no Coral de uma igreja católica e se apresentou duas vezes ao saudoso Papa João Paulo II. Ela também conhecia pessoas ilustres, porque sendo ela ela, quem não ia gostar dela?

Pois a Tia Cristina viveu para se dedicar aos demais. Ela cuidou do único avô que eu tive, emprestado, porém meu avô amado. Ela cuidou de pessoas. Ela ajudou a criar minhas sobrinhas e as amou como netas. Ela simplesmente ama crianças. Quando mais velha, após delicadas cirurgias na cabeça decorrente de aneurismas, ficou meio nervosa, mesmo apresentando um temperamento mais agitado, as crianças sempre a amaram.

A canja mais gostosa que já existiu foi feita por ela. Os seus temperos também sempre foram saborosos dando vontade de quero mais a cada prato.

As minhas sobrinhas tiveram a sorte de tê-la ao lado mesmo mais velha. Apesar de seu delicado histórico de saúde, continuou cuidando com zelo e amor de avó. Eu me lembro bem a cada nascimento que ela suspirava "é o amor da minha vida, sou louca por ela"!

Diga-se de passagem que os bichos que moram na casa de minha irmã também vivem atrás dela, especialmente o Bob "amor de minha vida"! - diz ela. Ao dormir em sua cama de solteira mal se mexe porque dormem mais outros: os 02 gatos e o Bob, este é o mais folgado, claro.

A Tia Cristina ainda passou por mais 2 cirurgias de risco e hoje não pode mais operar sua cabeça devido a idade. Tem outro aneurisma. Aos 84 anos, nem aparenta tanto, ela já está confusa e esquecida. Exceto de seus amores: os animais, minhas sobrinhas e minha filha.

Ela é uma pessoa desprendida, a virtude do desapego, com amor a Deus que sempre a salvou nos momentos totalmente impossíveis, agora mais "figurinha" do que aquela mulher incrível que foi no passado. É... um dia ficaremos velhos e nem sabemos como chegaremos na terceira idade.

Ainda bem que ela teve a única filha para cuidar dela: minha irmã. A minha irmã soube cuidar dela no momento que mais precisou e ainda precisa. Somos a família dela, filhas e netas emprestadas, mas de coração.

Assim, digam-me sobre amor biológico e afetivo?! Eis a questão.


Compartilhe esse artigo:

Related Posts with Thumbnails

10 comentários:

  1. Lindo demais. As 4 da manhã me emocionei. Boa sorte a todos.


    Babo

    ResponderExcluir
  2. Também tive uma avó "postiça".
    Quando meu pai morreu e minha mão foi trabalhar para sustentar os filhos, uma vizinha, vó Alice, cuidava de mim e de meu irmão, nos alimentando, nos arrumando para a escola, cobrando a lição de casa e nos dando carinho.
    Quando ela faleceu senti uma tristeza maior do que quando se foi minha avó verdadeira./h.

    ResponderExcluir
  3. a minha tia cristina esta com 96 anos...e esta perdendo os filhos - o ano passado foram dois com mais de 70 anos...viver demais para ver os filhos morrerem velhos e cansados...a vida é tao estranha...abraços.

    ResponderExcluir
  4. Que bom seria se a maioria das pessoas tivessem esta sua sensibilidade para falar das suas "tias", "mães", "avós", verdadeiras, postiças ou "de coração", como bem falou!
    Ainda hoje comentava com sonia, sobre uma senhora que ajudou a cuidar de mim, para que minha mãe pudesse entregar suas "costuras". Dona Arlete foi "mãe de leite" do meu irmão caçula. Ele mamava em duas mães, por isso era o mais fofinho dos irmãos, e o apelidamos de Bossa Nova.
    Este seu post foi fundo demais. Que Deus lhe conserve esta sensibilidade e jeitinho de cuidar e tratar bem as pessoas. Esteja certa de que já está colhendo muitos bons frutos.
    Abraço.
    Regly

    ResponderExcluir
  5. Linda homenagem Sissym, é muito bom ter uma Tia Cristina, com certeza, insubstituível e inesquecível.

    ResponderExcluir
  6. Ola minha cara!

    CUIDADO COM A MALDIÇÃO DO MONSTRO!

    siga até meu blog em http://bloguedomonstro.blogspot.com/2009/03/ola-paciente-leitor-voce-ja-visitou-um.html

    forte abraço,

    Monstro

    ResponderExcluir
  7. Monstrinho, vc é muito fofo! Obrigada...

    ResponderExcluir
  8. Linda homenagens Sis...acho que todos nós temos uma Tia Cristina, uma avó, ou oque seja, que sentimos um grande afeto!!!!

    Beijos linda e uma ótima Semana

    ^^

    ResponderExcluir
  9. Já me encontrava sensibilizado, pois acabara de assistir ao filme "Amor além da vida" com o ator Robim Williams e Annabella Isciorra, belíssimo filme. Então me deparo com esta declaração de amor ao seu semelhante, assim o coração não aguenta. Parabéns Sí pelo post, aliás vc consegue transferir toda sua emoção em seus poemas, seja vibrante ou melâncólico esse é o seu espírito...transparente.

    ResponderExcluir
  10. Amiga,tem selinho para vc lá no meu blog.Espero que goste!

    beijos

    ResponderExcluir

Recados: sissym.mascarenhas@hotmail.com
Obrigada