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sábado, maio 16, 2009

Um motorista prá lá de animado (história real)

Eu recebi um comentário, no diHITT, sobre meu post "O motorista ficou para trás...", na verdade, uma charge. Então me veio na cabeça que eu já vivi algo parecido! Ahahahhhhh

Na minha infância, durante 08 anos, eu usava um ônibus escolar dirigido pelo saudoso "Seu Humberto". Eu tenho certeza que ele amava as crianças. Ele era uma tremenda figura, vestia-se normalmente, usava grandes óculos de sol, cheio de caras e bocas e... dentadura! Ah, esta dentadura, voces nem imaginam como nos fazia rir!

Uma coisa que ele adorava era que cantássemos dentro do ônibus. Era um trem da alegria! Claro, havia uma musiquinha inesquecível (note que as respostas "não" eram aos berros):

- Ele é homem?!
- Não !!!
- É mulher ?!
- Não !!!
- E o que é que ele é ?!
- Ele é um índio camarada, amigo da garotada!!!

Como contar tudo aqui?! Nem sei por onde começar!

Algo simples que vem a cabeça, algumas vezes, na hora de ir embora, antes de levar uma a uma para casa, parava numa loja de doces (acredito que era dele) e nos presenteava de guloseimas deliciosas. Acreditem, eu me lembro perfeitamente onde ficava a loja. Outras vezes levava pacotes de balas, pirulitos e mariolas e distribuía, ainda na escola, dentro do ônibus.

Todavia, nada mais emocionante e "aventureiro" do que a subida ou descida do morro do Castelo. Sim, eu estudei num Castelo que ficava no alto de um morro chamado Monte Elíseo. Era uma linda escola que também tem suas histórias, até de fantasmas.... uhhhhhhh....

Uma pausa na aventura:
O Solar de Monte Elíseo, ou Castelo, começou a ser construído em 1852 pelo Visconde de Araújo, em Macaé, levou 14 anos para ficar pronto. Feito de materiais caros e requintados, vindos da Europa, desde telhas francesas de Marseille, madeiramento de pinho de riga, acabamentos de luxo e decorativos, além de safenas douradas, resposteiros e cortinas estilo renascença francesa, também instalações sanitárias com louçarias francesas e uma majestosa escadaria de madeira construída sem um prego sequer .

Eu tinha certeza, quase absoluta, que algumas vezes o buzum "morria" no meio da subida de propósito, para fazer com que subíssemos ladeira acima, era uma maneira de nos deixar em forma! ehehehehhh

Claro, que a maioria marchava rumo ao topo reclamando. Eu sempre morria de rir, para mim era aventura. Aliás, subir era melhor do que descer! Outras vezes descíamos... E Seu Humberto descia com o ônibus vazio, com aquela cara dele!!!, de repente o motor pegava, nós saíamos correndo atrás, somente lá embaixo que entrávamos no amarelinho.

Outras vezes, quando íamos embora, fazia a curva vigorosa lá encima, depois ia descendo devagarinho e de repente começava a gritar:

- Gente!!! Gente!!! Perdi o freio!!!

E começava a descer "vrumm-umm-umm" morro abaixo e nós aos berros e morrendo de rir!

Contudo, estas palhaçadas não ficavam só aí, olhava para trás e dava um sorriso com a dentadura para fora e nós berrávamos mais ainda!

Isso sem dizer quantas vezes mandava todos sentarem antes da partida, ainda lá no alto do colégio, debaixo das frondosas e gigantescas árvores de sapoti, e de repente fingia sentar nos colos das amigas mais frescas e olhava para trás e metade da dentadura vinha para fora. GRITOSSSSSSSSSSSS das meninas histericamente e frescamente rindo!


- "Ai, Deus que nojo!"



Eu digo que foram anos maravilhosos neste transporte escolar dirigido por uma pessoa simplesmente amável e adorável. Eu tenho certeza que éramos a alegria dele, adicionando às ótimas filhas naturais que ele tinha, uma delas, mais tarde, o ajudou muito no transporte escolar.

Observem, alguns incrédulos, que embora possam hoje considerar a "brincadeira" um tanto irresponsável, naquele tempo, desconhecíamos a violência, seja armada ou nas vias públicas. "O nosso mundo tudo é novo e colorido..." - como na musiquinha de abertura do "Globinho".

(por Sissym)


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13 comentários:

  1. Sissym,

    Viajei nessa história ! "Vi" todas as imagens.

    Gostei muito da narrativa.

    Um abraço.

    Nelson

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  2. Sissym, é maravilhoso podermos nos lembrar das histórias de quando éramos crianças. Lendo sua história me veio um monte de lembranças do do meu tempo de moleque. Lembrei até daquela música, acho que do Ataulfo Alves, que dizia assim:
    "Que saudades da professorinha, que me ensinou o bê a ba...Eu era feliz e não sabia."

    Parabéns pelo seu texto.

    Abraços

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  3. vc foi longe hein?! Globinho?!
    Voltei no tempo, andava para pegar o ônibus da escola e só chegava em casa depois das 13h morrendo de fome!! O motorista (como era mesmo o nome dele?) as vezes comprava biscoitos para mim!
    Bjks

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  4. Lindíssima sua historia, amiga. Que infância feliz e a escola devia ser linda! bjs

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  5. Oi Sissym!!!
    Passei pra retribuir sua visita e acabei lendo vários posts, obrigada por me adicionar.(Também te adicionei)
    Apareça sempre que quiser, será bem-vinda!!!
    Beijos
    Ângela

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  6. Olá Sissym!
    Suas histórias são sempre recheadas de ternura.
    Quem sabe um dia você não as coloca num livro de crônicas. Fica a sugestão.
    Bjs

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  7. Impressionante como consegui visualizar tudo o que você narrou. Uma delícia de texto. Até lembrei da minha época de colégio também.
    Beijos.

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  8. Essa bela história me faz lembrar do tempo que eu ia e voltava de perua (Kombi) da escola. Eram o Tio Dirceu e a Tia Dirce, responsável por controlar aqueles dez "capetinhas", que faziam de tudo naquela Kombi. E eles também davam uma parada em algum bar ou padaria para nos regalar com algum doce. Isso já tem 37 anos... Saudades.

    Beijos!

    André

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  9. Sissym, kkkkkkkkkkk que figura o "Seu Humberto". É MUITO legal relembrar a infância. Enquanto lia, me vinham algumas lembranças de alguns transportes coletivos escolares em que fiz bagunça.

    No ônibus, a gente brincava de pular quebra-molas e, às vezes, alguém batia a cabeça no teto. Era muito engraçado.

    Andei de combe escolar também. Muito divertido.

    Tem coisas que ficam na memória.

    Fica com Deus, amiga.

    A paz e a graça do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

    PS: apesar de relembrar a infância, sou novo ainda, viu? nada de me chamar de velho. rsrs brincadeirinha.

    (off) - i! será que ela achou que a chamei de velha? rsrs ----brincadeira Sissym.

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  10. Sissym,como vai?
    Deseja trocar link?
    Se não,no problem! ok?
    Abração!

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  11. Sissym, trabalho na tesouraria do Castelo, e começamos a resgatar a Historia do Castelo para os 50 anos da Escola, e adorei sua Historia, vou entregar a Ir. Ana. Se souber de mais coisa me escreva (tesouraria@insgmacae.com.br).

    Abraços

    Mara

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  12. Este artigo é digno marcador na minha opinião. É salvar para referência futura pena . É uma leitura fascinante , com muitos pontos válidos para a contemplação. Eu tenho que concordar em quase todos os pontos feitos no âmbito deste artigo .

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  13. @Anônimo: Amigo anonimo, que bom que concorda, pois a historia é real e eu a vivi!

    Saudações.

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Recados: sissym.mascarenhas@hotmail.com
Obrigada